domingo, 19 de outubro de 2014

O Pombo Correio






A história dos pombos correio é tão antiga quanto a própria humanidade e para compreendê-la é necessário observar e ler os relatos antigos  pinturas, pergaminhos, altos e baixos relevos entalhados por artistas da Antiguidade em pedra, mármore, madeira e outros materiais que contribuíram para perpetuar a história dos pombos correio através dos milênios.
Aristóteles, Plínio, Heliano e outros já falavam do instinto dos pombos correio para retornarem aos seus locais de nascimento ou para os locais onde se aninhavam. Os pombais fixos e móveis dos romanos constituíam um importante recurso na estratégia militar de suas legiões. Havia pombais que possuíam seis mil pombos convenientemente treinados, segundo observa-se até hoje em baixos relevos esculpidos no Capitólio Romano. Os pombais fixos e móveis montados entre torres corriam por toda a costa do Mediterrâneo. Eram constituídos de jaulas de fácil transporte, assim se explicando como César e seus comandantes de legiões podiam ser informados tão rapidamente dos movimentos de seus inimigos sufragando a tempo conflitos e rebeliões. Devido a isso, no topo dos cetros usados pelos generais romanos em cerimônias triunfais, via-se um pombo correio entalhado em madeira rara, ouro ou prata. Por outro lado, navios romanos também possuíam pombais móveis a bordo. Ainda no Império Romano os resultados das lutas entre gladiadores eram anunciados aos amigos e parentes distantes por meio dos pombos correio. Já no Egito, o governo anunciava as altas e baixas do Rio Nilo, usando o mesmo sistema de comunicação, objetivando alertar moradores e lavradores em suas margens. Como se vê a origem dos pombos correio é remotíssima. As primeiras referências que se tem conhecimento, além das bíblicas, remontam à quinta dinastia egípcia, cerca de três mil anos antes de nossa era. Na Síria, os pombos eram aves sagradas. Na Pérsia, sua criação era privilégio apenas dos maometanos, havendo cristãos que se convertiam de religião apenas para poder criá-los.
Passados anos e com a chegada da era moderna, os pombos correio passaram a ser criados para competição (pombos de corrida). O primeiro concurso de pombos correio efetuou-se na Bélgica em 15 de julho de 1820. Entretanto, na Guerra de 1914 e na Segunda Guerra Mundial tiveram papel relevante. Mais recentemente, foram utilizados pelos americanos nas guerras da Coréia e do Vietnã, quando mais uma vez provaram ser ainda um útil e importante elemento como instrumento de comunicação.
Os pombos dividem-se em selvagens e domésticos, que por sua vez dividem-se em três grupos: pombos de corte, embora todos os grupos possam ser criados para servir de alimento; pombos ornamentais, os quais compreendem a maioria das raças criadas em todo o mundo; e pombos correio, atualmente denominados de pombos de corrida, os quais são conhecidos por seu desenvolvido instinto de retornar ao local onde nasceram ou foram criados desde jovens. Atualmente, os maiores criadores e competidores do mundo são Bélgica, Polônia, Holanda, Espanha, Portugal, Alemanha e China com finalidade esportiva.
O mistério do instinto dos pombos correio ainda é uma incógnita. Sabe-se que a visão, a memória e o grande amor pelo pombal onde foi criado fazem que quando soltos a grandes distâncias (até mais de mil quilômetros) retornem ao seu lugar de origem. Pesquisas mais recentes elucidaram que o pombo correio, o salmão, o homem e alguns outras animais possuem em certas células cerebrais cristais de magnetita, um material magnético natural. Os cristais alinham-se no campo magnético da Terra de um modo muito semelhante ao das agulhas de uma bússola que é usada por essas espécies como um quadro de referência para navegação, segundo Ratey J. John em seu livro “O cérebro: um guia para o usuário”, Rio de Janeiro, Editora Objetiva Ltda. Mesmo assim, acreditamos que pouco se sabe sobre o instinto do pombo correio e muitas pesquisas ainda nos restam. 
A criação destas aves é relativamente fácil, bastando seguir os conceitos de higiene e alimentação e a construção de um pombal simples, limpo e arejado. Quando criados assim os pombos correio não adquirem doenças e nem as transmitem como a maioria das pessoas tem idéia errada. Eles são tratados e alimentados como verdadeiros atletas, são fortes, robustos e muito espertos. O período de incubação é de 16 a 18 dias e a fêmea põem dois ovos.
A velocidade de um pombo correio é de 50 km/h, sendo que bem treinados podem chegar a 60km/h. Filhotes com cinco meses de idade já podem ser treinados a uma distância de até 300 km e quando adultos, em torno de um ano, podem retornar de mais de mil quilômetros. 
A Sociedade Columbófila do Paraná realiza torneios durante o ano e orienta aqueles que desejam iniciar nessa atividade, realizando reuniões mensais com seus sócios e simpatizantes.


Direitos: João Marcos Baroni, médico veterinário aposentado da UFPR



Papiros e Pergaminhos

 A palavra papel é originária do latim "papyrus". nome dado a um vegetal da família "Cepareas" (Cyperua papyrus). O papiro foi inventado pelos egípcios e os exemplares mais antigos datam de 3.000 a.C.
      A medula dos seus caules era empregue, como já foi referido, pelos egípcios, há 3.000 anos antes de Cristo.
       O papiro é uma planta aquática, cujo talo era cortado na parte interior onde se encontravam as fibras muito resistentes e flexíveis e que unidas em lâminas, serviam de superfície própria para escrever.
      Esta planta era encontrada às margens do rio Nilo, no Egipto,  e representou para os egípcios o suporte da escrita hieroglífica, veículo de transmissão do conhecimento e da sensibilidade do homem da época.

Planta do papiro

     O papiro atravessou séculos, levando a cultura do Egipto a outros povos, copiada até pelos gregos e romanos, que escreviam em rolos de papiro; por isso permitiu não só a preservação da memória cultural, mas serviu também de testemunho da história dos materiais usados pelo homem.
Papiro
 Fragmento de um rolo de pergaminho dos Manuscritos do Mar Morto
     O pergaminho era muito mais resistente do que o papiro, pois era produzido a partir de peles tratadas de animais, geralmente de ovelha, cabra ou vaca e tinham um custo muito elevado.
     Diante da escassez e do alto custo do papiro, os Pergamenos, em Pérgamo, na Ásia Menor, passaram a substitui-lo pelo velino e pelo pergaminho.    O velino era a pele de animais (não nascidos, como os fetos, ou os muito jovens), e que recebiam um tratamento específico de raspagem, banhos de soda e secagem em bastidores, o que lhes conferiam propriedade alcalina de boa durabilidade, características para torná-los flexíveis e apropriados para a escrita.
     Graças a estes suportes, a história dos povos pôde ser conservada, estudada, pesquisada, resgatada e difundida no mundo inteiro.



Fonte:

sábado, 18 de outubro de 2014

Jornal na Antiguidade



 
Tudo começou com a escrita numa pedra
 
 
Um dos meios de comunicação mais antigo é, sem dúvida, o jornal impresso.Com certeza é o que tem mais história.Lá na idade da pedra o homem sentiu a necessidade de se comunicar, e com isso surgiu a linguagem.Com o passar do tempo essa linguagem foi se aperfeiçoando, surgindo a comunicação social.Junto com ela surgiu a escrita.Os povos primitivos escreviam em forma de desenhos, nas pedras, no chão, ou em eles mesmos.A escrita convencional surgiu mais tarde.Um grande salto foi dado no Egito,com a invenção do papiro e da tipografia, e a criação do primeiro jornal impresso.
 
O principal problema dos primeiros jornais era a reprodução e a sua distribuição, o jornal se tornava caro e inviável. Foi quando Gutenberg inventou a primeira forma de impressão, dando um salto primordial na história do jornal.Lógico que as primeiras máquinas tipográficas não podem ser comparadas com as de hoje, mas levando em conta o número populacional daquela época, podemos afirmar que seu surgimento foi uma revolução.Além do Egito, Roma também foi um berço para o jornal. Em Roma, lá por volta de 1600, o "mural" se tornou algo comum. Funcionava assim: o jornal era gravado em pedras brancas e fixado em diferentes pontos da cidade, pontos estratégicos. Isso aconteceu também aqui no Brasil, chamado "jornal do poste";cidades do interior desbancavam os jornais da capital, pois o jornal do poste chegava antes dos da capital. Com os conceitos da semiótica sendo "descobertos" o jornal evoluiu e se tornou gente grande. A relação Emissor -> Mensagem -> Receptor foi ficando em evidência, e com isso começou a surgir o marketing. Uma evolução constante, mas sem deixar de lado as raízes. Por exemplo, o jornal de poste é muito usado hoje em dia, basta dar uma volta na rua. Claro que sua forma, seu conteúdo mudaram, mas o povo também mudou, o objetivo é o mesmo: informar os assuntos atuais.

Hoje, o jornal é publicidade, dinheiro e vendas. A notícia se torna apenas mais um atrativo do jornal. Abrange quase todos os assuntos mas não perdeu sua identidade, apenas evoluiu, como nós.

Papel


O papel é um material constituído por elementos fibrosos de origem vegetal, geralmente distribuído sob a forma de folhas ou rolos. Tal material é feito a partir de uma espécie de pasta desses elementos fibrosos, secada sob a forma de folhas, que por sua vez são frequentemente utilizadas para escrever, desenhar, imprimir, embalar, etc. Do ponto de vista químico, o papel se constitui basicamente de ligações de hidrogênio.

Desde os tempos mais remotos e com a finalidade de representar objetos inanimados ou em movimento, o homem vem desenhando nas superfícies dos mais diferentes materiais. Nesta atividade, tão intimamente ligada ao raciocínio, utilizou, inicialmente, as superfícies daqueles materiais que a natureza oferecia praticamente prontos para seu uso, tais como paredes rochosas, pedras, ossos,folhas de certas plantas, etc.

Acompanhando o desenvolvimento da inteligência humana, as representações gráficas foram se tornando cada vez mais complexas, passando desse modo a significar ideias. Este desenvolvimento, ao permitir, também, um crescente domínio dessas circunstâncias através de utensílios por ele criado, levou o homem a desenvolver suportes mais adequados para as representações gráficas. Com esta finalidade, a história regista o uso de tabletes de barro cozido, tecidos de fibras diversas, papiros,pergaminhos e, finalmente, papel.

A maioria dos historiadores concorda em atribuir a Cai Luan (ou Tsai Luan) da China a primazia de ter feito papel por meio da polpação de redes de pesca e trapos, e mais tarde usando fibras vegetais. Este processo consistia num cozimento forte das fibras, após o que eram batidas e esmagadas. A pasta obtida pela dispersão das fibras era depurada e a folha, formada sobre uma peneira feita de juncos delgados unidos entre si por seda ou crina, era fixada sobre uma armação de madeira. Conseguia-se formar a folha celulósica sobre este molde, mediante uma submersão do mesmo na tinta contendo a dispersão das fibras ou mediante o despejo da certa quantidade da dispersão sobre o molde ou peneira. Procedia-se a secagem da folha, comprimindo-a sobre a placa de material poroso ou deixando-a pendurada ao ar. Os espécimes que chegaram até os nossos dias provam que o papel feito pelos antigos chineses era de alta qualidade, o que permite, até mesmo, compará-los ao papel feito atualmente.

A origem do Papel

A palavra papel vem do latim papyrus efaz referência ao papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo no Egito, da qual se extraia fibras para a fabricação de cordas, barcos e as folhas feitas de papiro para a escrita. Quando a escrita surgiu, há mais de 6 mil anos atrás, as palavras eram inscritas em tabuletas de pedras ou argila. A forma mais primitiva de escrita era acuneiforme. Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro.
    
Planta de papiro (Cyperus papyrus)                       Fragmento de papiro com manuscrito de Platão

Depois vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes.  Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T’sai Lun. Ele fez uma mistura umedecida de casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas, e outros produtos que contivesse fonte de fibras vegetais. Bateu a massa até formar uma pasta, peneirou-a e obteve uma fina camada que foi deixada para secar ao sol. Depois de seca, a folha de papel estava pronta! A técnica, no entanto, foi guardada a sete chaves, pois o comércio de papel era bastante lucrativo. Somente 500 anos depois de o papel ter sido inventado, os japoneses conheceram o papel graças aos monges budistas coreanos que lá estiveram.   
Em 751 d.C, os chineses tentaram conquistar uma cidade sob o domínio árabe e foram derrotados. Nessa ocasião, alguns artesãos foram capturados e a tecnologia da fabricação de papel deixou de ser um monopólio chinês. Mais tarde, os mouros invadiram a Europa, mais precisamente a Espanha e lá deixaram uma forte influência cultural e tecnológica. Foi assim, que os espanhóis conheceram também a técnica de dobrar papeis que ficou conhecida como papiroflexia.  O processo básico de fabricação de papel criado por T’sai Lun foi sendo sofisticado e que possibilitou uma imensa diversidade de papeis quanto à texturas, cores, maleabilidade, resistência, etc.

A fibra vegetal que nos referimos antes é à celulose, um dos principais constituintes da plantas e um polímero formado de pequenas moléculas de carboidratos, a glicose. A celulose pode também ser usada para a fabricação de tecidos quando extraída do algodão, cânhamo, chita ou do linho. Potencialmente, qualquer planta produtora de celulose é fonte de matéria-prima para a produção de papel.
Você sabia que para produzir 1 tonelada de papel são necessários, em média, 24 árvores? A quantidade e a qualidade do papel vão determinar o tipo de madeira e de planta que será utilizada. Atualmente, a produção de papel industrial usa duas espécies de árvores cultivadas em larga escala: o pinheiro (Pinus sp.) e oeucalipto (Eucalyptus sp), ambas originárias,  respectivamente da Europa e da Austrália. O papel feito a partir de madeiras de reflorestamento ajuda a amenizar as práticas de desmatamento e ajuda a preservar as florestas naturais. Outra prática que atenua as problemáticas ambientais devido ao consumo de papel é a sua reciclagem, processo que ainda não ocorre de forma plena, inclusive no Brasil. Veja essa matéria no site do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor).


Fonte

Mídia impressa

Também conhecida como mídia offline, amídia impressa é um meio de comunicação, o qual refere-se particularmente aos materiais, de caráter publicitário ou jornalístico, que são impressos em gráficas, birôs de impressão, ou em locais específicos.
O meio impresso pode ser veiculado em veículos de comunicação, como jornais revista e; tablóides; informativos; anuários; etc, ou em peças avulsas, como folhetos;mala-diretas; folders; flyers; panfletos;cartazes; encartes; etc.
Estes materiais ainda podem ser feitos em diversos papéis, plásticos, adesivos, variando-se em tamanho, cor, acabamento, e efeito.


Um breve apanhado sobre a história da imprensa


A comunicação sempre se fez presente em todos os estágios de evolução humana. Ainda da Idade da Pedra, data a primeira manifestação de comunicação do homem: a Arte Rupestre - arte em rochas. As pinturas nas paredes das cavernas do período Paleolítico representam esse antigo anseio do ser humano pelo ato de comunicar.
Com o crescente desenvolvimento do "Homo sapiens", o número de informações aumentou sobremaneira e a forma de repasse de tais informações, por conseguinte, se especializou. A fabricação do papel por chineses, no século VI a. C., propiciou o florescer da cultura. Mas somente com a invenção da imprensa por Gutenberg, em 1438, a propagação da informação ganhou um fabuloso impulso.
A partir do século XV, então, os novos acontecimentos políticos, econômicos ou sociais, do Ocidente, passaram a ser registrados em papeis que circulavam nas áreas mais habitadas de cada país. Surgem, pois, as primeiras impressões efêmeras da humanidade: as gazetas, com informações úteis sobre a atualidade; os pasquins, folhetos com notícias sobre desgraças alheias e os libelos, folhas de caráter opinativo. Da combinação destes três tipos de impressos resultaria, no século XVII, um gênero intitulado jornalismo.
A origem do jornal se deu em solos ingleses, franceses, alemães e, mais tardiamente, em terreno norte-americano. Naturalmente, o crescimento do impresso periódico ocorreu de forma distinta, em cada nação. Contudo, o jornalismo em geral sofria rígidos controles do governo, o qual impunha leis severas para o seu funcionamento. Era a censura que começava a travar o pleno progresso dos impressos.
À medida que o jornal instigava seus leitores a pensar, a estimular seu senso crítico e a debater sobre a política vigente, a imprensa era vista por autoridades do Estado como prejudicial ao seu governo.
Surgiu, pois, na Inglaterra, a lei que impunha que todo jornal deveria pagar um selo para ter a permissão de circulação, o que por seu turno, fez aumentar o preço do exemplar e diminuir a sua venda. A imprensa da França viveu sob a autorização prévia, ou seja, todo o conteúdo do jornal era, assim, supervisionado por uma organização corporativa antes de ser publicado. Estados Unidos e Alemanha também padeceram com severos controles do Estado o que lhes condenou, assim como nos outros países, a ter uma vida medíocre com a publicação de assuntos de pouca relevância.
Tal cenário, no entanto, se transformou após a Revolução Francesa. Pois foi a partir dela que o jornal de todo o mundo pode demonstrar a sua real função social. Os inúmeros fatos advindos com a Revolução propiciaram uma enorme curiosidade por parte das pessoas, o que ocasionou um considerável aumento do público leitor. Este era, então, o impulso que a imprensa necessitava para a sua própria promoção, ainda que os olhares repressores não deixassem de se recair sobre os escritos impressos.
Outro fator significativo para a evolução do jornalismo foi a industrialização. A crescente mecanização tornou o processo de impressão mais rápido, mais barato e dinâmico. Logo, o público leitor aumentou consideravelmente. O século XIX é um marco divisório para toda a imprensa mundial, pois datam desse período as primeiras grandes inovações do jornal.
Nos Estados Unidos, o progresso da imprensa possibilitou a popularização do jornal sensacionalista, o qual expunha em primeira página imagens e notícias de caráter extremamente violentos. Nessa ocasião, os jornais norte-americanos já eram bastante ilustrados e surgem, então, as histórias em quadrinhos - seção humorística do impresso que fez grande sucesso na época.
O pleno desenvolvimento da imprensa ianque, entretanto, era impedido pela enorme extensão territorial do país. Uma saída para tal dificuldade foi a criação de cadeias - agências que estendiam informações locais a nível nacional. As cadeias ianques lograram enormes sucessos com o controle de centenas de jornais, todavia a crise de 1929 abalou a economia nacional e vetou tal êxito. Surgiu, pois, um novo formato de jornal na tentativa de diminuir gastos - o tablóide, com metade do tamanho normal de uma folha e com menos número de páginas.
A Inglaterra, por sua vez, inovou produzindo jornais com uma maior variedade de assuntos; atendendo, assim, a um maior público. O jornal inglês passava a conter espaço para os acontecimentos do dia, notícias sobre esportes, informações de interesse feminino, manchetes na capa e um modelo de página melhor definido.
A França pós-industrialização passou a ter jornais de várias tendências, estilos e orientações. No âmbito da política, germinavam jornais de esquerda, de centro e de direita. Mas também faziam-se presentes jornais religiosos e monarquistas. Já a Alemanha não operou mutações muito relevantes. Apenas as suas folhas ganharam uma paginação mais arejada, com um conteúdo mais rico e variado.
É bem verdade que desde a gênese do jornalismo, a censura sempre existiu, mas foi durante a I Guerra Mundial, que os jornais passaram a viver sobre um regime de censura ferrenha. Os impressos que não obedecessem às regras dos censores eram apreendidos e, inclusive, suspensos. As informações sobre a guerra eram obtidas por intermédio de oficiais militares que controlavam o que devia ser repassado ou não. Apenas no terceiro ano da guerra, os jornalistas foram autorizados para ir à frente da batalha, podendo colher, assim, informações in loco.
Na II Grande Guerra, os jornais já disputavam a atenção do público com o rádio e a televisão. Fato este que conferiu uma adaptação do jornal escrito à nova situação vigente. De agora em diante, as campanhas publicitárias, tímidas no século passado, começariam a ocupar maior lugar de destaque nos impressos, a fim de manter o equilíbrio econômico do periódico. A imprensa passava, desde então, a assumir, cada vez mais, uma postura empresarial como única forma de permanecer existindo.

Cronologia da imprensa escrita mundial
59 a.C. - Surge e, Roma o primeiro noticiário o Acta Diurna.


1438 - 1440 - O alemão Johann Gutenberg inventa a tipografia. Sua prensa usa tipos móveis de metal em relevo que retêm a tinta, tornando possível a reprodução de um texto com base na impressão dos mesmos caracteres.


1632 - Lançamento do jornal francês Gazzete de France, considerado o primeiro semanário impresso no mundo.


1645 - A Academia Real de Letras da Suécia promove o lançamento do sueco Post Och Inrikes Tidningar, o mais antigo jornal em circulação no mundo.


1663 - 1665 - Impressão das primeiras revistas do mundo: a alemã Erbauliche Monaths Unterredungem, a francesa Journal des Sçavans e a inglesa Philosopical Transation.


1702 - Começa a circular o primeiro jornal diário do mundo, o inglês Daily Courant.


1731 - Lançamento da The Gentleman's, a primeira revista de entreteminento do mundo.


1758 - Lançamento do jornal espanhol Diário Noticioso.


1783 - Lançamento dos jornais diário norteamericanos Pennsylvania Evening Post e New York Daily Advertiser.


1788 - Fundação do jornal inglês The Times, o mais famoso do século XIX.


1789 - 1799 - No período da Revolução Francesa são lançados na Europa 1,5 mil títulos, que representam o dobro dos 150 anos anteriores.


1814 - O alemão Friedrich Koenig (1774 - 1833) cria a impressora a vapor, capaz de imprimir até 1,1 mil exemplares por hora. O jornal londrino The Times foi o primeiro a ser impresso com a nova técnica.


1818 - O francês Pierre Lorilleux (1788 - 1865) inventa a tinta para impressões, que garantiu qualidade gráfica e rapidez para as publicações.


1835 - É fundada na França a primeira agência de notícias do mundo: a Agência Havas, criada por Charles-Auguste Havas. Ela transmite via pombo-correio informações financeiras da bolsa de Valores de Londres


1836 - O jornal francês La Presse é o primeiro a publicar anúncios pagos.


1842 - A revista inglesa The Illustrated London News é a primeira revista a usar ilustrações.


1845 - O francês Jacob Worms (1800 - 1889) inventa a primeira máquina rotativa, pela qual a impressora é alimentada com rolos contínuos de papel (bobinas). No ano seguinte, o norte-americano Robert Roe aprimora o invento e aumenta a velocidade de impressão para 5 mil páginas por hora.


1851 - Lançamento do jornal The New York Times, nos Estados Unidos.


1854 - Lançamento do jornal francês Le Figaro.


1861 - O norte-americano Matthew Brady faz o primeiro trabalho de fotojornalismo na Guerra Civil Americana.


1877 - Lançamento do jornal The Washington Post, nos EUA.


1880 - A primeira fotografia publicada pela impensa surge no jornal Daily Herald, nos Estados Unidos.


1884 - O alemão Ottmar Mergenthaler (1854 - 1899) inventa a linotipo, uma máquina para composição e fundição de caracteres que torna obsoletos os tipos móveis alinhados manualmente. O alinhamento mecânico permite a impressão numa velocidade seis vezes maior. Final do século XIX - A imprensa escrita sofre permanentes mudanças tecnológicas, principalmente na parte gráfica. A impressão em cores e a rotogravura (processo destinado à tiragem em prensa rotativa, que possibilita a gravação direta do cilindro de cobre) proporcionam mais qualidade às publicações.


1903 - Fundação do jornal inglês Daily Mirror.


1906 - O alemão Casper Herman constrói a primeira máquina offset, método de impressão que transfere caracteres ou imagens para o papel por meio de um cilindro de borracha.


1912 - O russo Lênin funda o jornal Pravda. A publicação circula até 1992 e chega a alcançar uma tiragem de 10 milhões de exemplares.


1923 - Lançamento da revista semanal norte-americana Time. A cobertura sistemática dos acontecimentos internacionais influencia revista do mundo inteiro.


1932 - O francês Henri Cartier-Bresson inicia carreira fotográfica, tornando-se o mais influente fotojornalista de sua época.


1936 - Começa a circular a revista ilustrada de informação norte-americana Life.


1944 - Fundação dos jornais franceses Le Monde e Libération.


1947 - Lançamento da revista semanal alemã Der Spiegel. Década de 50 - A fotocomposição é introduzida na maioria dos jornais e revistas. Os textos e as fotos são produzidos em papel cuchê, montados a mão (past-up) e fotografados (fotolito).


1953 - Fundação do semanário francês L'Express, que leva ao grande público assuntos políticos, financeiros e econômicos.


1968 - O tablóide britânico Daily Mirror torna-se o jornal de maior circulação no Ocidente.


1972 - 1974 - Bob Woodward e Carl Bernstein publicam o escândalo Watergate no Washington Post.


Década de 80 - Com a informatização das empresas jornalísticas, todas as etapas da produção se tornam, digitalizadas. Os textos são elaborados em computador e a editoração eletrônica substitui a fotocomposição. Nesse novo processo, as páginas também são diagramadas no computador e o fotolito é gerado do arquivo eletrônico.


1988 - A Agência de notícias France-Warner, maior conglomerado de mídia do mundo.


1989 - Formação da Time-Warner, maior conglomerado de mídia do mundo. Década de 90 - O sistema filmless (sem filme) possibilita a gravação diretamente no cilindro de impressão por meio de impulsos eletrônicos transmitidos pelo computador, eliminando a utilização do fotolito. O filmless permite também a impressão de uma publicação em diferentes localidades simultaneamente.


1992 - Primeira edição do The New York Times in Review.


1997 - O Museu da Notícia é inaugurado em Washington (EUA). É o primeiro no mundo dedicado exclusivamente à notícia.


1997 - A morte da princesa Diana num acidente de carro em Paris, enquanto fugia de fotógrafos (conhecidos como paparazzi), acirra a discussão a respeito da ética dos meios de comunicação e do direito à privacidade .


Fonte

Os grafiteiros das cavernas



Paleontólogo americano afirma que a arte rupestre é obra de jovens - com intenção lúdica, não mística


As figuras de animais e homens pré-históricos pintadas nas cavernas há dezenas de milhares de anos são vistas como traços de narrativas antigas ou rituais místicos. O paleontólogo americano Russell Dale Guthrie discorda dessa tese. Para ele, grande parte da arte produzida por nossos ancestrais do tempo das cavernas foi feita por jovens, por pura diversão. Em seu livro ainda não lançado no Brasil, The Nature of Paleolithic Art (A Natureza da Arte Paleolítica), Guthrie reacende a polêmica sobre a natureza da arte ancestral. Para ele, era um exercício de criatividade. Afinal, no mundo nada amigável e frio da Era Paleolítica, ser criativo poderia ser essencial para a sobrevivência. "Essa é a maravilhosa história de nossa evolução", afirma. 
De Fairbanks, no Alasca, onde mora, Guthrie falou a ÉPOCA. 



ÉPOCA > Por que os homens pré-históricos pintavam as cavernas? No universo acadêmico, a explicação mais aceita para as pinturas é que fariam parte de rituais místicos relacionados à fecundidade. Ou seriam uma espécie de magia para deixar os animais caçados mais vulneráveis. É verdade?
Russell Dale Guthrie > Existe a interpretação de que a arte do Paleolítico tinha significado religioso ou espiritual. Porém, há pouca evidência de que isso seja verdade. A arte mística é marcada por caracteres de repetição, criaturas bizarras, estilização. E essas características não estão presentes nas cavernas. A arte paleolítica pode ser explicada como a maneira natural pela qual as pessoas dessa época interagiam com o ambiente e uns com os outros. Eu acho que essas pinturas foram feitas por pessoas mais racionais, muito espertas, que usavam sua inteligência para sobreviver e interagir. E a arte ia muito além das cavernas. 


ÉPOCA > Onde mais se pintava?
Guthrie > É um equívoco comum pensar que a arte de mais de 10 mil anos atrás tenha sido toda feita dentro de cavernas. Grande parte está em sítios arqueológicos ao ar livre. São gravuras feitas em pedras calcárias ou em ardósia, em chifres, em marfim e em ossos. Porém, alguns lugares conservaram essas pinturas melhor, como as cavernas.




ÉPOCA > Quem eram os autores dessas pinturas?
Guthrie > Os dados mostram que homens e mulheres de todas as idades participaram da arte paleolítica. Pelos temas pode se chegar a essa conclusão. Mas também usei um programa de computador para comparar o tamanho das mãos de seres humanos atuais com as marcas com tinta encontradas junto às pinturas. Assim, foi possível dizer estatisticamente o sexo e a idade dos donos dessas impressões. A maioria era de homens jovens. Uma possível explicação para isso é que as mulheres costumavam usar materiais menos duradouros, como fibras, couros, peles e pratos. Os homens trabalhavam com materiais mais duráveis: pedras, ossos, chifres e marfim. O fato de as mãos masculinas serem mais freqüentes também pode ser explicado pelos homens serem mais propensos a correr riscos. E suponho que naquela época as cavernas eram lugares perigosos. Você ficava sem luz, estava perdido. E os jovens costumam estar mais dispostos a enfrentar riscos que os homens mais velhos. Há uma grande tendência de muitas das artes terem sido feitas por jovens. Eu não diria a maior parte, mas uma grande fração.




ÉPOCA > O tipo de desenho confirma essa conclusão?
Guthrie > Nas mais de 3 mil imagens mostradas em meu livro, fica claro que a maior parte é rudimentar, quase grosseira. É o exato tipo de imagem que ainda hoje é feita quando se está aprendendo a desenhar. É um erro pensar que grande parte da arte paleolítica tenha sido feita por grandes pintores. 



ÉPOCA > Por que muitas pinturas retratam animais, órgãos sexuais femininos e silhuetas de mulheres? 
Guthrie > Como os adultos, os jovens desenham o que é mais excitante para eles. No tipo de grupo em que viviam, o status vinha de ser um caçador audaz. Assim, conquistava-se o respeito dos pares, além da admiração das garotas, com o objetivo de ter filhos saudáveis e ser bem cuidado na velhice. Já a visualização de partes da anatomia feminina pode ter um grande potencial de excitar os homens.




ÉPOCA > É possível comparar a arte feita por jovens pré-históricos aos grafites dos adolescentes atuais?
Guthrie > Não acredito nisso de maneira nenhuma. Hoje, há mais propósitos políticos, não de diversão. Tem um tom de discordância, de se rebelar contra a sociedade.




ÉPOCA > Qual era a finalidade das pinturas, então, para os jovens pré-históricos?
Guthrie > As obras de arte preservadas são uma relíquia de um tipo de brincadeira, a brincadeira da criatividade. Nossa evolução é resultado de nossa vivência ao ar livre, que nos deixava indefesos. Foi preciso muita inteligência, e não força para sobreviver e prosperar. A evolução de um tipo especial de comportamento nos permitiu desenvolver e praticar nossa inteligência: o brincar, uma atividade auto-recompesadora. Ela permite errar sem sofrer sérias conseqüências. E a arte era isso, uma brincadeira exploratória.




ÉPOCA > Essa arte paleolítica não teria significados místicos?
Guthrie > As razões pelas quais fazer arte são tão auto-recompensadoras são obscuras. É por isso que os acadêmicos têm se desviado em direção ao xamanismo, à magia e a outras motivações espirituais para tentar entender as pinturas. Mas as razões são muito mais profundas e universais. Biológicas, eu diria. Fazer arte de qualquer tipo é aprender a pensar diferente, a produzir coisas novas, a exercer a criatividade.




ÉPOCA > É possível afirmar que os jovens que fizeram essas pinturas há 40 mil anos tinham um comportamento similar ao dos adolescentes de hoje?
Guthrie > As evidências do conhecimento moderno mostram que todas as espécies evoluíram e que os seres humanos também são criaturas de nosso passado natural evolucionário, não produto de uma criação especial. Muitas de nossas inclinações são inatas. Alguns antropólogos ignoram essa evidência. Eles ignoram que existem comportamentos comuns a várias culturas. E o uso da criatividade é um deles. O contrário disso seria acreditar que o ambiente há 40 mil anos determinaria uma cultura tão diferente da nossa que jamais poderíamos compreendê-la.




RUSSELL GUTHRIE


PRESA Guthrie segura o maxilar de um mamute. Arte rupestre narra histórias de caçadores

 QUEM É ?
Professor emérito do Instituto de Biologia Ártica da Universidade do Alasca

ONDE PESQUISA ?
Estudou sítios arqueológicos na África, Austrália, Europa e Sibéria

 O QUE PUBLICOU?
Frozen Fauna of the Mammoth Steppe: the Story of Blue Babe, sobre mamíferos pré-históricos




Fonte